F.A.Q. - Frequent ANSWERED Questions
Um resumo em ordem alfabética das opiniões de Diogo Mainardi

Pesquisa: Cris Camargo e Eduardo Phillipe Mineo
(página ainda em construção)
 
A B C D E F G H I J L M N O P Q R S T U V W X Y Z
 

 

A

ABORTO - "Na Itália, o aborto é permitido até o terceiro mês de gravidez. Eu estenderia esse prazo até o décimo quinto aniversário da criança. Seria uma arma potentíssima nas mãos dos pais. Faríamos crianças obedientes e solícitas. Aterrorizadas com a possibilidade de que pudéssemos descartá-las de um momento para o outro, elas sempre fariam de tudo para nos agradar." (coluna "Um Estranho no Ninho")

"O ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou que quer diminuir em 15% a mortalidade materna. Há uma maneira simples e rápida para atingir a meta. Basta legalizar o aborto. Calcula-se que os abortos clandestinos sejam responsáveis por cerca de 15% das mortes de gestantes. Acabando com os abortos clandestinos, a mortalidade materna diminui na mesma proporção, em particular entre as mulheres mais pobres e mais jovens. (coluna "O Planejamento Petista")

AFEGANISTÃO - "As meninas vão à escola, há uma imprensa mais ou menos atuante, e as adúlteras não são apedrejadas. O Karzai, (...), representa uma parte importante do país. Democracia é outra coisa. Virá, esperemos, mais adiante." (chat do Comunique-se)

AGRICULTURA - "A gente é monocultura. Veja a pauta de exportações agrícolas brasileiras. Em primeiro lugar, vem a soja, depois madeira e celulose, isto é, ciclo do pau-brasil. Continuamos exportando cana-de-açúcar, café. Está tudo na nossa História. Se o mercado está favorável, tem que plantar soja mesmo. Se não estiver, planta outra coisa. Modernizar a agricultura é bom. Máquina, trator. Melhor do que uma reforma agrária em que o lavrador seja mantido pelo Estado. Agricultura familiar é um desastre. É melhor morar na favela, na periferia das cidades, do que num lote improdutivo de Pernambuco. As pessoas vão aonde há oportunidade, não há nada de errado nisso. Sou contra o discurso racista de manter o pobre na terra para não vir roubar na cidade grande." (em entrevista ao JB)

ÁLCOOL - "É o pior problema do Brasil. Lula deveria dar o exemplo e parar de beber em público."

AMEAÇAS (de processo) - "Já recebi. Está tudo em tramitação, não tenho nada julgado ainda. Inclusive de políticos. " (chat do Globo.com)

ARNALDO JABOR - "Revoltado a favor". Antes ele era revoltado a favor de Fernando Henrique. Agora é revoltado a favor de Lula. Continua revoltado. Continua a favor."

"Ele é revoltado a favor! Ele está sempre a favor, contra. Ou sempre contra a favor." (em entrevista à TV COM)

AUTO-AJUDA - "Eu só li auto-ajuda para fazer resenha e ganhar a vida, não é meu campo." (chat do Globo.com)

AUTO-ESTIMA (do brasileiro) - "Eu contesto, na verdade, a origem disso. A idéia, desde o princípio, me aterroriza. A idéia do orgulho nacional, a idéia da revanche patriótica sempre tem fundo autoritário, ela sempre está aí pra esconder a tentativa de usurpação do poder, nunca é gratuita. Nunca o governo faz propaganda da gente, diz que a gente é bom (risos), se não tem segundas intenções. O governo sempre tem segundas intenções quando elogia a gente." (em entrevista ao Semana 3)

AUTORES - (recomendados) "Sou um sujeitinho sem imaginação, sempre recomendo os mesmos livros, os mesmos autores, aquela linhagem cômica que vai de Aristófanes a Pynchon, passando por Rabelais, Cervantes, Voltaire, Swift. " (blog do GNT)

B

BRASIL - "É um país que não funciona, é uma economia que não tem saída, é uma cultura que não tem muito a dizer. É um país atrasado, não é um desastre, é um completo atraso. O nosso país é um atraso. E todos nós sabemos que é um atraso."

"Tenho interesse real no Brasil, não tem escritor que tenha escrito mais sobre o país do que eu." (em entrevista à Revista Trip)

"O Brasil é um prato cheio para o sarcasmo e a avacalhação." (chat do Comunique-se)

"Eu estava na Itália sintonizado com o Brasil. Eu estava em Veneza, mas o meu tema sempre foi o Brasil. Nunca me interessei em falar da Itália, nunca me interessei pela Itália a não ser pela vida cotidiana, que não faz parte do meu trabalho. Meu trabalho é uma coisa, a vida é outra. Meu trabalho era ligado ao Brasil, sempre foi aqui o meu interesse e sempre será." (em entrevista à TV COM)

BRASILEIROS - "O brasileiro é cortês, eu me dou muito bem aqui no Brasil. Acabei de me mudar para o Rio de Janeiro e gosto muito da cidade. Eu sou brasileiro, e não vou falar das virtudes do brasileiro porque seriam as minhas também." (chat do Globo.com)

BRIZOLA - "Eu não conheci o Leonel Brizola, mas eu fui associado a ele pelo governo quando surgiu a reportagem do NY Times sobre as bebedeiras... as supostas - eu tenho que pôr este "supostas" na frente - bebedeiras do Lula. Eu fui associado a ele porque eu fui citado junto com o Claudio Humberto e o Leonel Brizola, como fontes." (em entrevista à TV COM)

BUSH - "Eu não defendo as políticas belicistas do Bush. Eu digo que ele, com as motivações erradas, fez uma coisa certa que foi derrubar os regimes do Talibã no Afeganistão e do Saddam Hussein no Iraque. Acho que ele acabou fazendo a coisa certa para os iraquianos." (chat da Globo.com)

"[a reeleição de Bush] Não é o fim do mundo. No mesmo dia em que ele foi eleito, a Califórnia aprovou proposta que autoriza a pesquisa com células-tronco. Isso mostra a vitalidade dos Estados Unidos. É um país muito fragmentado, algo muito positivo." (em entrevista ao JB)

"Eu tô pouco me lixando pro Bush. (...) Deixa o Bush, porque não vai ser o fim do mundo! (...) É deles o presidente. Não é meu." (em entrevista à TV COM)

C

CAETANO VELOSO- "Caetano Veloso me chamou de abacaxi com caroço. Um dia, vai ter que explicar o que isso significa, pois ainda não consegui descobrir (risos)." (em entrevista ao JB)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - "Sobre Drummond, você pode falar bem ou falar mal. Se pegar os melhores poemas dele, vai falar bem. Se pegar os piores, vai falar mal. Eu peguei os piores e fiz uma seleção do que há de mais abominável no que ele fez. Não quis fazer um tratado sobre Drummond. Apenas peguei a celebração de seus 100 anos , todo o kitsch daquela comemoração e a má leitura do que se faz de Drummond, e acabei prestando um serviço a ele. O que se lê de Drummond por aqui, hoje em dia, é quase sempre o que ele fez de pior. Claro enigma é seu melhor trabalho." (em entrevista ao JB)

CINEMA BRASILEIRO - "Absolutamente nada [me marcou]. O Brasil não conseguiu fazer um bom filme. Deus e o diabo na terra do sol, por exemplo, eu acho chatíssimo." (em entrevista ao JB)

CINEMA - "Os filmes que escrevi para o meu irmão me realizaram artisticamente, mas foram um desastre financeiro. Perdemos um monte de dinheiro. Cinema é um ótimo negócio no Brasil, mas só para quem toma dinheiro do Estado. A gente não tomou. Eu sempre achei que vocês, do outro lado da linha, não tinham a obrigação de bancar minhas veleidades artísticas. Como não tenho mais dinheiro, chega de cinema." (chat do Comunique-se)

COLUNA - "Comento o que leio nos jornais e assisto na TV. Essencialmente, tento decifrar o que é propaganda e o que não é. A coluna não tratava de política. Na iminência da eleição de Lula, vi que a imprensa brasileira estava muito desarmada em relação ao PT e resolvi entrar no debate." (em entrevista ao JB)

"Nunca houve, em nossa história, tanto jornalista chapa branca quanto no primeiro ano do governo Lula. Todo mundo poupou o presidente, até os humoristas. Achei que valia a pena aporrinhar essa gentalha." (chat do Comunique-se)

"Minha coluninha é isso aí: são 2/3 de página na qual eu separo a propaganda do que não é propaganda. Só isso." (em entrevista à TV COM)

CRÍTICAS - "Sou absolutamente indiferente ao que dizem ao meu respeito, a favor ou contra. Tenho um tipo de caráter que me preserva. Sou bidimensional, não tenho profundidade psicológica, ninguém consegue me atingir. Tenho um aparato psicológico pobre, não dá para me colocar num estado de exaltação ou de depressão." (em entrevista à Revista Trip)

"Não me ofendo com as críticas. Acho graça. Gosto de responder quando encontro um bom adversário. Tenho muitos desafetos. Se faço um livro ou um filme, eles aproveitam para se vingar. Além disso, nunca me convidam para lançamentos e inaugurações. Perco todas as festinhas." (blog do GNT)

"Claro que existe um prazer na crítica em me malhar. Ficaria muito ofendido se não quisessem se vingar de mim. Aliás, falo mal de tanta gente que imagino que este livro vá passar batido na maior parte das redações." (em entrevista ao JB)

"Não é sempre que eu gero discussão inteligente. Quando a discussão melhora um pouco, eu fico contente; quando a discussão é muito ruim, muito besta, eu não sinto nada, não é nem um prazer nem um desprazer. Eu não sou excessivamente vaidoso, então o retorno da minha coluna não é algo que me envaideça. Tem a parte do meu trabalho, que, quando funciona, eu fico contente. Quando eu consigo colocar alguma questão útil, melhor. Óbvio que os meus detratores conseguem usar todos os termos errados. Me acusam de ser “polemista” – como se isso fosse um demérito. E esse é um dos grandes xingamentos que me fazem. Gostaria muito de ser considerado um polemista. Eu não sou, não tenho nem talento suficiente pra merecer o título. Mas que isso seja visto como um xingamento, por exemplo, já é assustador. Outra crítica é a de que eu não devo ser levado a sério, porque a ironia desmerece, no Brasil, qualquer análise. Outra das nossas tolices." (em entrevista ao Semana 3)

CUBA - "Cuba deixou de ser uma questão relevante. Estamos apenas esperando a morte de Fidel Castro. Será um alívio para todos, inclusive para o governo do PT." (blog do GNT)

CULTURA BRASILEIRA (ver também "POLÍTICA CULTURAL") - "O Brasil precisa de uma guerra civil cultural. Cultura é conflito, não identidade. Quem busca identidade nacional está buscando padronização. Isso é uma concepção autoritária da cultura. Sou contra qualquer política cultural, cultura deve ser dissociada de política. Se o Estado conseguir gastar menos e cortar alguns impostos, o país se vira. Se tiver que haver cinema, vai haver. Senão, paciência." (em entrevista ao JB)

"Pobre precisa de dinheiro, não de cultura. Se tiver escola e dinheiro, ele se vira. Se precisar, vai ver filme, comprar disco. Ele já pode ver filme na televisão porque tem gato, não paga conta de luz, não paga TV a cabo. Pobre se vira. Não dá para imobilizar a cultura ou subordiná-la aos desejos do Estado." (em entrevista ao JB)

"Acho que a cultura brasileira definhou, não existe, morreu. O pouco que existia foi convertido, se transformou em chavão, só provoca atraso." (em entrevista ao Semana 3)

"O Brasil não precisa de cultura. Precisa de soja transgênica, precisa plantar, precisa trabalhar. Cultura se faz sozinha. Cultura se faz com dinheiro no bolso. Se as pessoas tem um pouco mais de dinheiro no bolso elas vão consumir cultura, vai ter um ambiente ligado à cultura." (em entrevista à TV COM)

D

DETRATORES - "Eu tenho dó dos meus detratores porque eles não entendem que eles contribuem tanto pro meu salário quanto os meus admiradores. Então eles fazem parte da minha esfera de influência. E eu tô aí pra isso. Eu sei que eu dou de vez em quando opiniões bastante veementes e isso provoca a reação das pessoas e é natural que seja assim, e o xingamento faz parte do meu trabalho. Eu não dou a menor importância. Honestamente, não é algo que me afete. Servia de vez em quando pra este tipo de crônica que eu fazia em que eu contava a reação do público." (em entrevista à TV COM)

DEUS - "Não acredito. Sou anti-religioso" (em entrevista à Revista Trip)

DEZESSEIS-ZERO-SESSENTA - "Um idiota do “Estadão”, o próprio Zanin, nos acusava de ter feito um filme fascista. Seguindo a boa tradição da comédia, a gente debochava de ricos e pobres. E como era uma comédia de costume, não dava pra tomar o lado de ninguém, sobretudo o dos oprimidos. Os oprimidos são tão medonhos quanto os ricos no filme. E a graça do filme era essa. (Risos) Se eu não tivesse escrito desse jeito, e meu irmão (Vinicius Mainardi) não tivesse dirigido assim, não teria graça." (em entrevista ao Semana 3)

DIOGO MAINARDI por DIOGO MAINARDI - "Tenho um olho cândido, distante. Olho meu país sem preconceito, mas com graça, por achá-lo preciso. Não tenho objetivos precisos. Vejo o mundo de um jeito. Boto esse jeito no papel e me pagam para fazer isso. Não sou resmungão, mas penso que sou um desastre nacional. Tenho todas as piores qualidades de meu povo e poucas de suas virtudes. " (em entrevista ao JB)

"Eu sempre tive uma opinião muito mais negativa a meu respeito do que a maior parte dos meus detratores. Isso ajuda a não perder de vista a minha insignificância." (chat do Comunique-se)

"Eu sou muito tranqüilo, muito feliz, muito contente." (em entrevista à TV COM)

DIOGOMAINARDISMO - "Não foi criado por mim. O termo, na verdade, eu tirei de uma crônica do Tutti Vasquez, cronista carioca. Ele escreveu num texto dele que toda vez que ele falava mal de alguma coisa ou reclamava de alguém, fazia alguma crítica, ele era comparado a mim. E isso o incomodava muito. Então eu virei sinônimo desta figura desagradável que reclama das coisas, que se queixa, e eu construí uma carreira em cima disto daí, mas virei sinônimo do queixume. E é um fardo, eu tenho que carregar isso. E vou ganhar a vida com este troço." (em entrevista à TV COM)

"Não existe diogomainardismo. A única coisa que eu faço, na minha coluna, é ficar do lado de fora do ringue, repetindo o tempo todo para o leitor: levanta a guarda, abaixa o queixo, cuidado com o gancho esquerdo, faltam só vinte segundos para o fim do round. Não salvo ninguém do massacre, só tento limitar os danos." (chat do Comunique-se)

DIREITA (e esquerda) - "Eu sou um sujeito que raciocina o meu país. Se esquerda é o Lula, ou seja, José Sarney, José Dirceu, José Genoíno etc., aí eu sou de direita, sem dúvida nenhuma. Outro dia o Genoíno tentou explicar pra nós o que era esquerda e direita. Ele falou que esquerda era “taxação progressiva”. Isto é, os EUA são de esquerda há mais de cem anos. O Bush é de esquerda, então. Taxação progressiva é isso aí, quem é mais rico paga mais. Que eu saiba não existe um único país no mundo que não existe taxação progressiva. O mundo inteiro é de esquerda. Uma discussão tão besta. Eu sou um tatcherista na economia. Quanto mais Estado você tirar, melhor. Eu acho que todo intelectual (...) tende a se contrapor à visão comum da época dele. A minha é uma época extremamente esquerdista. E todos os valores da esquerda são aceitos como se fossem verdadeiros. Mas no Brasil não existe esquerda e direita, no Brasil existe governo. " (em entrevista ao Semana 3)

E

EDUARDO "PENINHA" BUENO - "Não me desentendi com ele! Eu desci a lenha num livro dele, mas só como ensaista." (chat do Globo.com)

ESPIRITUALIDADE - "Não, não existe [em mim]. Eu sou matéria." (em entrevista à Revista Trip)

ESQUERDA - "Eu li uma entrevista do José Genoíno dizendo que 'ser de esquerda hoje em dia é defender a progressividade dos impostos'. É um conceito tão absurdo! Porque progressividade e imposto a gente sempre teve. Todos os países têm, quer dizer, quanto mais rico você é, mais você paga. Ele acha que isso é ser de esquerda hoje em dia. Quer dizer, o papel da esquerda ficou tão pequeno, mas tão pequeno que eles defendem um princípio da economia tão elementar. Pobre não paga imposto no Brasil: quer mais progressivo do que isso?" (em entrevista TV COM)

ESTADO - "O ataque ao Estado não é só uma defesa do liberalismo econômico, mas uma defesa do indivíduo, para que ele possa se opor à interferência do governo na vida dele. Nunca tive grandes sonhos coletivos, acho que cada um deve cuidar de sua própria vida." (em entrevista ao JB)

"A influência do Estado é nefasta. Na cultura, na economia, na política, no dia-a-dia, nas organizações. Ah, tira o Estado de tudo. Quando eu digo isso, é só pra ter a minha posição enfatizada, eu sei que isso não vai acontecer, porque ninguém abre mão do poder. Agora, enquanto o Estado não abrir mão de boa parte do que ele controla, o Brasil não pode ir pra frente, não tem a menor chance." (em entrevista ao Semana 3)

EVANGÉLICOS - "O crescimento dos evangélicos é o fenômeno mais interessante dos últimos 20 anos. Desde as Diretas, nada teve impacto tão grande no país. Politicamente, é deletério. Existe um conflito religioso, que ainda não foi deflagrado, entre católicos e protestantes." (em entrevista ao JB)

 

F

FACULDADE - "Não me formei. Larguei a faculdade. Eu fiz um ano no Brasil e um na Inglaterra. Porque tinha coisa mais interessante fora da faculdade. Eu tinha muito livro pra ler. E os livros não eram os que eu estava estudando na faculdade. Ir à universidade só pra ganhar uma bibliografia não me pareceu motivação o suficiente. Achei melhor ficar em casa lendo, lendo, lendo. Foi o que eu fiz em Londres. Passei quatro anos lá, engordei dez quilos. E lia o dia inteiro. E quando não estava lendo, assistia críquete na televisão. Essa foi basicamente a minha formação." (em entrevista ao Semana 3)

FEDERALISMO - "O importante é tirar os políticos das nossas costas. Um Estado federal pode dar ou tirar poder da canalha governativa. O modelo não conta, o que conta é o resultado." (chat do Comunique-se)

FILHO - "Meu filho foi fundamental na visão a meu próprio respeito. Achava que literatura fosse prioridade na minha vida, e depois descobri que tem uma coisa mais rica, mais divertida, mais emocionante, mais prazerosa do que escrever. Diminui muito minhas ambições, fico com o meu molequinho a maior parte do tempo e com prazer, não acho que esteja perdendo nada. Ajudou muito a diminuir o meu ego." (em entrevista à Revista Trip)

"O amor que eu manifesto pelo meu filho sempre me dá um tremendo cartaz. É uma coisa muito natural, então isso transparece, o que é melhor ainda. Mas no caso [coluna 'Meu Pequeno Búlgaro'] eu não estava buscando solidariedade, de jeito nenhum, muito pelo contrário. Eu tava dizendo que a experiência de ter um filho deficiente físico pra mim foi tão tranqüila, tão sem drama, que foi quase desarmante. Eu fiquei desarmado diante da naturalidade deste fato, e eu quis passar isso para tirar um pouco do estigma que pais de crianças deficientes podem carregar e acho que esse foi o retorno mais legal, mais simpático. (...) É o meu tema. Essa é a minha turma, é o tema que mais me interessa na vida, mais do que o governo Lula sem dúvida nenhuma. O meu campo de interesses é esse daí: é um molequinho de quatro anos." (em entrevista à TV COM)

FILMES - "Nem eu tenho uma cópia dos filmes que eu escrevi, não tenho a menor idéia onde encontrar. A frustração foi no bolso e não artística. Foi uma perda monumental de dinheiro. Eu e meu irmão fizemos a bobagem de financiar o filme, é a pior idéia que alguém pode ter na vida (risos)" (chat do Globo.com)

"Nos dois filmes que fiz, recusei-me a usar dinheiro público. É uma opção. Não quero ter rabo preso." (entrevista ao JB)

"Gosto dos nossos dois filmes. Foi um projeto frustrado financeiramente. Perdi muito dinheiro, meu irmão teve que sacrificar seu apartamento. Mater dei (2000) não existe. Eu não tenho cópia do filme." (idem)

"Faço um tipo de coisa que não deserta o interesse das pessoas. Com nosso primeiro filme, 16 0 60 (1995), recebemos aplausos de pé durante 10 minutos no Festival de Veneza. Não me queixo da experiência, mas foi um desperdício de dinheiro fazer coisas que as pessoas não queriam ver." (ibidem)

"Não tenho idéia de continuar na ficção. Pra roteiro de cinema sem dúvida por esse problema aí, do dinheiro público, que eu não pego. E eu não tenho dinheiro próprio. Agora, por exemplo, tem uma diretora que quer filmar o meu último romance, “Contra o Brasil”, e eu vou ceder os meus direitos pra ela, grátis, porque eu não posso embolsar dinheiro do governo. Eu poderia pedir 60 mil reais pelos direitos, mas eu não vou me estraçalhar dessa maneira, de me acusarem depois de ser uma espécie de Cony (Carlos Heitor Cony), que fala uma coisa e faz outra. E eu não sou o Cony! Então, cinema, não." (em entrevista ao Semana 3)

FÓRUNS (na internet) - "Já entrei no fórum do Manhattan Connection. Tem um monte de gente doida. Tem também um monte de gente que precisa melhorar a ortografia." (no blog do GNT)

FUNÇÃO (a própria) - "Não tenho nenhum propósito de acordar os brasileiros. Eles que façam o que quiserem. Eu não esses propósitos construtivos." (chat do Globo.com)

"Minha função não é votar. Não tô aqui pra dar sugestão, proposta,... só estou aqui pra falar o que não funciona, pra reclamar. Minha função é isto: eu me queixo. Sou pago pra me queixar. Eu sou como uma dona-de-casa: eu vou lá e reclamo do preço do tomate. É o que eu faço. " (em entrevista à TV COM)

FUTEBOL - "Não torço contra o Brasil. Inclusive no futebol, infelizmente eu torço para o Brasil." (chat do Globo.com)

"Olha, eu tava conversando com o Juremir: a única vez em que eu vim à Porto Alegre foi na final do Campeonato Brasileiro - nem lembro mais - 75, 76, pra ver Internacional e Corinthians, e o meu time infelizmente perdeu pro Internacional. Então até os 14, 15 anos eu era muito ligado a futebol. Mas velho não pode torcer pra time de futebol. Isso é coisa de moleque. Eu torcia quando era garoto." (em entrevista à TV COM)

"É melhor não ter muito futebol. Seria melhor todo mundo na segunda, na terceira divisão!" (idem)

G

GILBERTO GIL -: Muita demagogia, muito papo furado. Antes de sua posse, fui assistir ao seu show beneficente na Rocinha. Ele começou a cantar com duas horas de atraso e deixou todo mundo debaixo de chuva por esse tempo, enquanto eu, com minha pulseira vip, estava numa tenda de circo coberta.

"Achava muita graça em debochar dele no começo, mas perdi o entusiasmo. Ele é tão desimportante que abandonei o tema. Não vou ficar dando chute no Gil porque ele não representa nada e porque cultura, no Brasil, é de uma irrelevância atroz." (em entrevista ao JB)

GOVERNO LULA - "A graça da minha coluna, em relação ao Lula, é que eu consegui perceber através de indícios muito tênues, nos três meses que antecederam a eleição, as principais características do que seria o governo dele: diletantismo, clientelismo, fisiologismo. Eu acho que consegui sacar tudo direito. A coisa positiva do governo Lula foi pra mim, eu acho que eu fui a única pessoa nesse país que saiu ganhando. Eu sempre digo: eu devia pagar o dízimo petista, porque ele me deu uma popularidade inimaginável." (em entrevista ao Semana 3)

"No dia da posse, Lula tinha 96% de apoio popular. Mais brasileiros acreditavam em Lula do que em Deus. Eu sempre temi regimes plebiscitários. Por isso, passei a debochar sistematicamente do governo, todas as semanas. Vou continuar a fazer isso." (chat do Comunique-se)

GUIMARÃES ROSA - "Guimarães Rosa não está entre os meus preferidos, mas escrevi um livro todo baseado nele. Sou um dos poucos autores brasileiros que ainda o leva a sério." (blog do GNT)

I

IDENTIDADE CULTURAL - "Identidade cultural é o grande tema que o Brasil conseguiu inventar no último século. Eu volto sempre a este tema porque toda a nossa literatura foi escrita em cima deste tema que é o fundamental da nação." (chat do Globo.com)

IDEOLOGIA - "Minha ideologia, como figura pública, que escreve uma coluna de opinião, está muito bem resolvida. Acho o seguinte: imprensa não é propaganda. Se um jornalista faz propaganda do governo, não tenho o menor pudor corporativo: debocho dele." (chat do Comunique-se)

IMPRENSA - "O papel da imprensa é encurralar, caçar e derrubar os políticos que estão no poder — alguém tem que controlar essa gente." (em entrevista à Revista Trip)

IMPRODUTIVIDADE - (agrária) é um elemento fundamental da economia moderna. Em muitos casos, não plantar pode ser mais rentável do que plantar. A União Européia só se construiu graças a uma agressiva política de desestímulo à produtividade. Por que implicamos tanto com as terras improdutivas? Se a improdutividade fosse um critério válido para a desapropriação, a esta altura Lula já teria sido despejado do Palácio do Planalto.

INFLUÊNCIAS - "Praticamente tudo o que eu li era irreverente. Minha linhagem literária é de Cervantes, Swift, Voltaire, Rabelais. Uma linha cômica, sarcástica e muito ácida. Eles foram os escritores que fizeram minha cabeça. Ela é desse jeito por causa deles." (em entrevista ao JB)

INTELECTUAIS - "Intelectual brasileiro tem forte tendência ao adesismo. Sempre tem um dinheirinho chegando de algum lado. Normalmente na velhice, sob a forma de aposentadoria por serviços prestados. Foi assim com Drummond, com Mario de Andrade." (em entrevista ao JB)

INTERNET - "A internet ajudou muito, porque eu tive acesso a muitas informações que eu não tinha. Eu pude começar a ler 4, 5, 6 jornais por dia, brasileiros, estrangeiros... E isso alargou muito o meu campo temático." (em entrevista à TV COM)

IRAQUE - "Já estou contente com a derrubada do Saddam Hussein. Depois, eles (os iraquianos) se viram. A invasão foi ótima, livrou o mundo de um monstro." (em entrevista ao JB)

IRONIA - "Tem muita gente que não entende ironia, sarcasmo, este tipo de coisa. É uma deficiência cultural nossa. Nós, brasileiros, temos uma incapacidade de ver o debate, a troca de opiniões como algo que pode ser ácido, sarcástico, afiado, provocatório... Eu acho que todas estas coisas fazem parte do confronto de idéias. Eu sempre achei que idéia era uma coisa pra ser confrontada. Que você não devia buscar o consenso. E a ironia é uma arma que você pode usar para falar as coisas. Mas nem todos entendem a ironia. Pra quem faz a ironia é até melhor, é mais engraçado quando as pessoas não entendem e levam a sério o que você faz. É mais divertido." (em entrevista à TV COM)

IVAN LESSA - "Abandonei o curso de ciências políticas no segundo ano por culpa dele. Fui para a Inglaterra na juventude para estudar na London School of Economics. Tinha 19 anos. Procurei Ivan como fã. Foi a primeira e única vez que busquei uma pessoa por isso. E ele começou a me encher de livros. Íamos comer em um restaurante chinês, às quartas-feiras, e ele sempre levava três livros para mim, que eu lia no arco entre uma semana e outra. Entre a leitura com esse tutor e a universidade, achei melhor o Ivan Lessa e sua biblioteca." (em entrevista ao JB)

J

JORNALISMO - "O jornalismo foi bom para mim, me deu muito, e eu não dei nada em troca." (chat do Comunique-se)

"Somos um país de gente cada vez mais acomodada, cada vez mais acovardada. Isso não ajuda o jornalismo." (idem)

"Não tenho diploma. E não faço jornalismo. Sou um comentarista, um profissional da opinião." (ibidem)

"Eu nem sou um jornalista. Eu sou um comentarista de coisas que aparecem no jornal. Sou um leitor que faz comentários. Então eu tenho esta tarefa de leitura e de leitura crítica do que eu vejo, do que eu faço. Normalmente eu tento ver o que é propaganda e o que não é. Eu me limito a fazer isso." (em entrevista à TV COM)

"O jornalismo brasileiro nunca foi tão servil quanto no primeiro ano do governo. Nunca houve um adesismo tão desenfreado. Sempre fomos adesistas e sempre fomos servis. Não tô dizendo o contrário. Mas eu nunca tinha visto de forma tão patente, tão generalizada assim." (em entrevista à TV COM)

JORNALISTAS - "Jornalista não pode se confundir com o governo. Seu dever é controlar o poder público." (blog do GNT)

"Eu acho que jornalista não pode ficar falando em “esperança”, em futuro. Jornalista tem ver o que aconteceu no dia e escrever pro dia seguinte." (em entrevista ao Semana 3)

"Eu não veria nada de errado em ter jornalista engajado. Os americanos, por exemplo, todos eles endossaram os candidatos e manifestaram a preferência. Eu prefiro ser um franco-atirador." (em entrevista à TV COM)

L

LAZER - Meu único lazer é meu moleque. Fico com ele o tempo todo, a gente ri e brinca muito. Três vezes por dia, vou a praia tomar água-de-coco. Sempre de bicicleta.

LEITURA - "O fetiche nacional pela leitura são estes grandes lugares comuns que a gente vive aqui no Brasil, por exemplo: "a leitura é necessária", e todo mundo tenta convencer os pobres brasileiros a ler com os argumentos errados, com as motivações erradas, e como se isso pudesse trazer um benefício imediato. Tentam ver o usufruto imediato da leitura, coisa que não existe! Não é assim que se fala de livro. Sobre todos os assuntos, a gente normalmente raciocina através de chavões, de idéias feitas, como ensino obrigatório, leitura, combate à miséria... a gente sempre cai na coisa mais simples, mais banal e mais equivocada." (em entrevista à TV COM)

LITERATURA BRASILEIRA - "João Cabral [de Melo Netto]eu gosto muito. E Policarpo Quaresma foi o melhor romance que fizeram no Brasil." (em entrevista ao JB)

"Parei no Dalton Trevisan, e continuo a crer que ele faz o melhor da literatura ainda hoje." (idem)

LIVROS (recomendados) - "Dom Quixote. É o mais engraçado, mais cheio de imaginação, o que resiste melhor a interpretações erradas, é um livro firme." (chat do Globo.com)

LIVROS (escritos) - "Acho que fiz a minha parte. Estou sem entusiasmo, já disse o que tinha que dizer. A prioridade número um é dinheiro. Preciso me manter, manter minha família. Se tiver muito desejo, o que acho improvável, escrevo. Mas não tenho apego a nada." (em entrevista ao JB)

"As vendas melhoraram de livro para livro. O último chegou aos seis mil exemplares. Um modesto sucesso editorial. Todos saíram em italiano. Um deles desembarcou na Noruega." (chat do Comunique-se)

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO - Militante petista.

LULA - Quando Fidel Castro tinha 12 anos de idade, endereçou uma carta ao presidente americano pedindo uma nota de 10 dólares. Os planos do Lula, funcionam mais ou menos do mesmo jeito. Eles pedem uns dólares e o presidente americano dá. Lula é igual a Fidel Castro. Um Fidel Castro com 12 anos de idade.

"Nunca haverá presidente melhor do que Lula. Quando falta assunto para minha coluna, lá está ele, sempre disposto a colaborar, de graça." (blog do GNT)

"Lula encarna, melhor do que os outros, a classe política brasileira. Seu governo tem um naco de Estado Novo, uma retórica de JK, um lado de janguismo, muito dos militares, um fisiologismo do Sarney, e um bocado do Fernando Henrique." (chat do Comunique-se)

M

MÃE - "Minha mãe me mandou pra fora de casa e disse 'Vai! Vai ver as coisas, vai aprender, vai crescer lá fora', e eu fiz isso. Foi útil pra mim. Foi bom pra mim. Eu tenho uma dívida de gratidão enorme." (em entrevista à TV COM)

MANHATTAN CONNECTION - "Foi bom começar o programa em Nova York. Eu nunca tinha feito TV e, como todos os espectadores puderam perceber, não levo o menor jeito para a coisa. Lucas Mendes vive me salvando. Entre morar em Nova York e no Rio, neste momento, prefiro o Rio. Não gosto muito dos Estados Unidos. Quanto a substitutos, qualquer idiota seria perfeitamente capaz de me substituir." (blog do GNT)

MATER DEI - "O [filme] Mater Dei foi um fracasso retumbante, porque não gerou absolutamente nada. Nem dinheiro, nem discussão, nem nada. Não sou tão bem- sucedido, tenho um nicho na imprensa... Trabalho para a [Editora] Abril e para a Rede Globo, o que é curioso." (em entrevista à Revista Trip)

"A gente fez uma opção muito pobre de cinema. A gente filmou em digital, usando economias familiares, e a parte mais cara, que foi a que nos criou problema, a gente precisou de sócio, pra transferir do vídeo pra película. Inicialmente nossa idéia era fazer um filme que pudesse ser vendido pela internet. Foi uma precipitação. Não existia ainda a plataforma, não existia um meio tecnológico pra fazer isso, não existia uma distribuição alternativa. A nossa idéia sempre foi essa, de encontrar um meio alternativo de fazer as coisas. E a gente não encontrou, porque não existe ainda. Um dia talvez exista. Mas a gente foi cedo demais e paciência." (em entrevista ao Semana 3)

MÍDIA - "A mídia pode prejudicar um empreendimento. Trabalhando com imprensa, não vejo a mídia impessoalmente." (em entrevista à Revista Trip)

MÚSICA - Não ouço música. Não tenho aparelho de som, é a última das minhas preocupações. Já tem música demais aqui no Rio. É um inferno. Não tenho nem rádio de pilha.

N

NACIONALISMO - "Todo discurso que se baseia em orgulho pátrio, esperança e união nacional tem uma veia intolerante. Desde os anos 30, o Brasil desenvolve a mesma retórica de unidade nacional, que sempre esconde a vontade de calar a oposição." (em entrevista ao JB)

O

OLAVO DE CARVALHO - "Ele faz um bom serviço em sua área. Não tenho propostas nem pretendo apresentar uma leitura complexa da sociedade brasileira. Meu papel é desmontar." (em entrevista ao JB)

OPINIÃO - "Eu como figura pública não dou opinião a nenhum político." (chat do Globo.com)

"Falo com liberdade porque não faço parte de panelas. Gosto de pensar a respeito do meu país e não me vinculo a nenhum grupo." (em entrevista ao JB)

"Tenho que escrever toda semana e ainda falar na televisão toda semana... isso pra alguém limitado como eu... Eu não tenho tantas opiniões a respeito do mundo assim. Então eu tenho que reciclar algumas coisas e outras eu tenho que mudar no meio do caminho." (em entrevista à TV COM)

OPOSIÇÃO - "Oposição é um termo pomposo demais, mas vou pegar no pé de quem estiver no poder sem dúvida." (chat do Globo.com)

"Historicamente, no Brasil, é melhor ser a favor do que ser contra. Dizem que eu lucro graças à minha função de opositor do governo, que é muito fácil falar mal. Mas como diria (o publicitário) Duda Mendonça, ''quem bate perde''. Essa é uma lição que todo brasileiro segue." (em entrevista ao JB)

ORKUT - "Os orkutianos não têm o menor interesse por mim. Querem falar a respeito deles. Eu apóio." (chat do Comunique-se)

OTIMISMO - "A gente é sempre assim: oscila muito. Muito otimismo, muito pessimismo, muito otimismo, muito desespero... e deste jeito os políticos enganam a gente; continuam enganando. Porque quando você está desesperado vem alguém e te dá esperança." (em entrevista à TV COM)

P

PASQUIM - "Um jornal alternativo com a importância do Pasquim não tem mais espaço, acho. Além disso, quem ocuparia o lugar daquele pessoal? Eu? Eu sou um coitado." (chat do Comunique-se)

PATRIOTISMO - ver "NACIONALISMO"

PAULO FRANCIS - "Sou um Paulo Francis piorado. Ele era melhor do que eu, era mais engraçado, tinha um talento dramático que eu não tenho, tinha mais capacidade de trabalho, era mais generoso que eu." (chat do Globo.com)

"O Francis era meu amigo. E ele não foi exatamente meu tutor, porque quando eu conheci o Francis eu já tava bastante formado. E não como o Ivan Lessa, que foi o meu tutor. O Francis era muito meu amigo, ele me levou ao Manhattan Connection inclusive, muitos anos atrás, quando ele ainda trabalhava lá, para promover um livro. (...) e ele ficaria feliz em saber que eu estou ganhando o salário lá que antes era reservado a ele. Eu ganho menos do que ele ganhava, mas ele ficaria contente de saber que eu peguei esta herança dele. Em todo o resto ele era muito maior do que eu. Muito melhor e muito maior. Só a quantidade de coisas que ele escrevia por semana, a amplitude dos interesses dele e da participação dele na política, na economia,... e ele era um jornalista, coisa que eu não sou. Tinha fontes, tinha contato com as pessoas. Ele dava notícia, ele dava informação. Eu não dou nada. Eu só faço um pequeno comentário." (em entrevista à TV COM)

PESSIMISMO - "Não é pessimismo. O Brasil não vai melhorar, nem piorar. Vai continuar a ser uma grande porcaria. Somos fracos nessa coisa de país. Não é a nossa construir uma nação organizada." (em entrevista ao JB)

PODER - "Infelizmente [meu poder é] zero, o que eu digo não tem importância nenhuma, não muda absolutamente nada. Só irrita. E, para mim, quase sempre é o suficiente." (em entrevista à Revista Trip)

POLÊMICA - "Os brasileiros não gostam de quem cria caso e fala mal dos outros. Somos conchavistas e obsequiosos. Estamos sempre procurando aliados, não adversários. Seguimos o conselho do Duda Mendonça: quem bate, perde. A gente não bate: prefere apanhar. Apanhar rende votos. Apanhar garante popularidade. Nesse sentido, meu sucesso como colunista é profilático, porque mostra que bater, às vezes, pode ser bom." (chat do Comunique-se)

POLEMISTAS (preferidos) - "Millôr Fernandes, Ivan Lessa, Paulo Francis. Nelson Rodrigues era muito engraçado. Lima Barreto é meu autor brasileiro preferido." (chat do Comunique-se)

POLÍTICA CULTURAL - "Eu nunca aceitei dinheiro de leis de incentivo do Estado porque eu acho que o consumidor não é obrigado a financiar as minhas veleidades artísticas. Se eu tenho veleidades artísticas, problema meu. Se eu faço um filme que ninguém quer ver, problema meu. Se eu faço um filme que todo mundo quer ver, eu encho a botija de dinheiro (risos). É simples assim. Não deve haver política cultural, não deve haver ministro da cultura, não deve haver secretário da cultura, não tem que ter nada. Tem que ter gente que cuida do teatro municipal, que limpa tudo, que troca o revestimento das poltronas e toca pra frente. Se for pra não ter cultura, não vai ter cultura. O Estado corresponde por mais de 50% do mercado editorial brasileiro, das compras de livro. É uma inversão. Não existe isso. A gente lê menos, a gente não atribui importância à leitura, então paciência, fazer o quê? Não é o Estado que vai suprir isso. Eles não podem fazer o livro, a biblioteca e o leitor também." (em entrevista ao Semana 3)

POLÍTICOS - "Tenho absoluto asco de políticos. Eles são todos iguais, independentemente de partido. É uma gentalha que não me fascina. É gente que deve ser apedrejada." (em entrevista ao JB)

PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO - "Acho que o programa espacial brasileiro deixou de existir há pouco tempo. O Brasil tem que encontrar solução para a esquistossomose e não programa espacial." (chat do Globo.com)

PT - É uma mentira. Acho que percebi, antes de muita gente, que os petistas só queriam empregar seus amigos e parentes. E, de quebra, levar uma graninha para casa no fim do expediente.

"Eu nunca fiz uma crítica ideológica ao PT, porque eu nunca acreditei nele. Nos meus textos, não tem crítica do tipo “ah, eles são comunistas, eles vão confiscar as fazendas, confiscar os apartamentos e vão colocar um operário na minha sala de estar”. Não tem nada disso. Eu apenas nunca acreditei no PT. Eu sempre disse que era papo-furado – e disso eu me orgulho, porque toda impostura, na minha opinião, estava muito evidente. E a imprensa ficou calada, o eleitorado ficou embrutecido, e aí foi a nossa habitual tendência de achar que as coisas vão melhorar por conta própria." (em entrevista ao Semana 3)

"Todas as minhas más expectativas estão sendo confirmadas. Relendo este livro, vi que estava certo na maior parte dos pontos que denunciei antes da eleição: demagogia, ocupação de cargos, incompetência, mentiras eleitorais. Os petistas não têm uma interpretação moderna da sociedade brasileira, não têm idéia do que é o país. Todos os partidos brasileiros são desprovidos de caráter, mas o PT se elegeu com uma imagem de pureza que nunca teve. No poder, cristalizou a imagem de um partido que topa qualquer parada. " (entrevista ao JB)

R

RAÇA - "Não existe raça. Nós viemos todos de Adão e Eva: dois macacos na África." (Manhattan Connection)

RATINHO - Um jornalista sério. Eu sou menos sério que o Ratinho, mas também gostaria de entrevistar Lula.

REFORMA AGRÁRIA - "Reforma agrária é coisa pra 50 anos atrás. Agora tem que por essa gente toda na cidade. A gente precisa de serviço. Precisa por todo mundo pra trabalhar, e o campo não tem trabalho. Só tem trabalho enquanto ele for subdesenvolvido, e aí não gera dinheiro. Então fica um monte de miseráveis lá." (em entrevista ao Semana 3)

S

SEPARATISMO - "Acho que questionar a unidade nacional é sempre bom. Os liberais americanos, depois da eleição do Bush, brincaram com a idéia de separar os estados democráticos dos Estados Unidos e juntá-los ao Canadá. A liberdade de pensar essas coisas é positiva." (chat do Comunique-se)

T

TAPAS E PONTAPÉS - "Esse livro, o título é tirado de uma pessoa que é muito importante pra mim, o Ivan Lessa. É uma citação que eu faço de um texto dele em que ele diz que é melhor não escrever, mas "se tiver que escrever, trate a humanidade a tapas e pontapés". E foi um ensinamento que eu não consegui seguir direito porque eu não tenho o talento dele, mas eu me esforço neste sentido." (em entrevista à TV COM)

"Eu tirei todo o material que ficou datado e tentei dar uma coerência, mas elas [as colunas no livro] não foram reunidas em ordem cronológica. Eu reuni por temas e na verdade todos os temas são interligados, também porque eu tenho a tendência de estabelecer uma linha de raciocínio do começo ao fim do livro, que é mais ou menos a linha de raciocínio que eu percorrí nestes seis anos. São os temas que me interessaram e as diferentes maneiras sobre as quais eu falei destes temas e eu corrigi muito, cortei muito, joguei fora muita coisa e criei estas pequenas frases que tentam dar uma ligação, tentam colar uma crônica à outra." (idem)

TELEVISÃO (fazer) - "Não apareço na TV por vaidade, mas pelo dinheiro. Se quiserem me tirar de lá, basta pagar meu salário. Seria ótimo ganhar para não trabalhar." (blog do GNT)

"Não faz parte das minhas habilidades, eu sou muito sem jeito. Acho que o programa provavelmente seria melhor sem mim, mas estou achando ótimo, embora não seja uma pessoa ideal para o meio." (chat do Globo.com)

U

UAI-UAIS - "Foi a minha primeira crônica. Eu tinha voltado da Amazônia e foi a primeira coluna que eu escrevi pra Veja, (...) a da minha viagem aos Wai-wais. Eu tava muito "fresco". Tinha lançado a pouco tempo o meu último romance - último e derradeiro romance - no qual eu faço o meu personagem retomar a estrada do Levi-Strauss no Mato Grosso. Então eu fiz a minha primeira coluna sobre a minha visita aos índios e o Levi-Strauss no Brasil, 'Tristes Trópicos'." (em entrevista à TV COM)

V

VEJA - "A 'Veja' continuaria vendendo a mesma coisa sem mim." (chat do Globo.com)

"Eu estou na “Veja” há doze anos já, sou um dos mais antigos funcionários da casa. Comecei fazendo perfis. Fiz perfil do Gore Vidal, do Nelson Piquet, da Cicciolina, do Ivan Lessa... Depois acabaram as celebridades que eu tinha acesso, e aí eu comecei a fazer resenhas literárias. E em 1999 eu ganhei a coluna, que tem essa colaboração fixa e melhor remunerada." (em entrevista ao Semana 3)

VIVA RIO - "O Viva Rio faz um discurso demagógico de que a violência, que é o grande problema da cidade, pode ser reparada pela ação social - isto é, balé na favela. Violência é problema de polícia. O Viva Rio sofre da mesma falta de foco que o governo ao tratar da miséria." (em entrevista ao JB)

VOTO - "Eu não voto! Não gosto de políticos, não tenho nada a ver com eles. Eles que ganhem o voto dessa gente que está por aí. Não se preocupem comigo. Desde que voltei ao Brasil, tenho uma carteirinha de isenção eleitoral, que exibo com grande orgulho. Sou um dos únicos brasileiros que podem desfrutar do voto facultativo. Pelo menos até o dia em que me obrigarem a assinar um documento desgraçado." (em entrevista ao JB)