Postado
11:43 PM por Su
Se nos portarmos
bem, está prometido, veremos todos as mesmas imagens e ouviremos os mesmos
sons e vestiremos as mesmas roupas e comeremos os mesmos hambúrgueres e
estaremos sós na mesma solidão dentro de casas em bairros iguais de
cidades iguais onde respiraremos o mesmo lixo e serviremos aos nossos
automóveis com a mesma devoção e obedeceremos às mesmas máquinas num mundo
que será maravilhoso para todo aquele que não tiver pernas nem patas nem
asas nem raízes. (GALEANO, 2001, p. 239)
Enquanto teço as linhas e entrelinhas de um projeto, tentando manter
uma linha teórica consciente e coerente, a espiral histórica não se detém
e mostra, nos acontecimentos presentes, as determinações que já estavam
inscritas nos possíveis de um passado próximo.
Na tela das
televisões materializa-se em imagens impactantes a primeira guerra em
tempo real que assistimos em nível global. O aparato midiático segue o
aparato militar e a cena da guerra se assemelha a um set de filmagem onde
a destruição se mistura ao ensaio e a preparação dos atores.
Em
cada canto do mundo foi possível ver o presidente da mais poderosa nação,
testando expressões e poses, ter o seu cabelo arrumado diante das câmeras,
antes de anunciar os últimos detalhes da carnificina que vem promovendo.
No campo de batalha, a telemática engendra o mais recente reality
show. Desfila ante nossos olhos uma miscelânea de imagens rápidas, de
textos desconexos, de simulações e apelações ao sensacionalismo. A tela
divide-se em janelas, mesclando o desenho televisivo ao desenho da
internet. Imagens e textos filtrados nos chegam iguais, seja qual for o
canal de informações. Emerge um sentimento de irrealidade e de perda de
sentido que nos assalta a cada evento. Comer pipocas assistindo ao
bombardeio de Bagdad é aceitar como banal o sofrimento humano, aceitar a
insensibilidade, nos desumanizar um pouco a cada dia.
Da
globalização econômica, chegamos a globalização da cultura e dos
sentimentos humanos. Na sociedade espetáculo , o sofrimento, a miséria e
até a guerra podem ser estetizados e consumidos após o jantar. E, nisso, o
desenvolvimento científico e tecnológico tem participação em forma e
conteúdo, uma participação que urge ser discutida, desmistificada e posta
às claras a todo cidadão deste planeta.
Postado
7:29 PM por Su

A privatização dos serviços de
tratamento e distribuição de água será um dos principais temas do Fórum
Mundial da Água, que será aberto neste domingo (16) em Quioto, Japão. O
evento ocorre até o dia 23 e terá a presença de diversos chefes de
Estados, representantes de organismos multilaterais e ONGs. A Agência
Carta Maior dará ampla cobertura e, para isso, enviou ao Japão um repórter
especial. <
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